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A solução energética para Catoca passa por fonte de origem hídrica
 

Engenheiro de sistemas eléctricos de potência, com passagem pelo Instituto Superior de Engenharia e direcção da EDEL, antes de liderar o Departamento Eléctrico de Catoca, Coutinho Lourenço é uma das grandes referências quando se tratam de questões ligadas à electricidade. É com ele que abordamos a questão energética de Catoca a médio e longo prazo.

Olhando para a empresa, como é que vamos em termos de capacidade de produção de energia?
- A nossa potência de ponta é de 17 MW. O fornecimento da Hidro-Chicapa tem variado entre 5 a 11MW que têm sido bastante exíguos para a nossa demanda, sendo o resto compensado pela nossa central Termoeléctrica que além de ser pouco ecológica, é dispendiosa em termos de combustíveis, lubrificantes e manutenções.

Falou em Potência variável da Hidro-Chipaca para Catoca: Quer esclarecer?
- Pois, note bem, quem atravessa o rio Chicapa, a jusante da barragem, vê que há pouco caudal da água durante este período. Significa que no período de estiagem, há pouca água e pouca produção, chegando a receber apenas 5MW. É neste período (estiagem) em que aumenta a produção da nossa Termoeléctrica e que acontece o pico em termos de consumo de gasóleo na empresa. Já no período chuvoso, quando o caudal é maior, a quantidade de energia produzida também é maior e aí recebemos um máximo de 11MW.

E que tem a dizer das constantes quebras de potência da Hidro-Chicapa que chegam a interferir no funcionamento das nossas C.T.´s?
- A questão tem a ver com o facto de eles trabalharem sempre no limite da potência instalada (16MW) e sem margem de reserva. Nós temos equipamentos de grande potência e sempre que um deles entra ou sai do sistema cria constrangimentos na fonte, que nem sempre são possíveis de equilibrar com a actual tecnologia da Barragem. Mas temos estado a pressionar de modo a que melhorem os equipamentos e nos atendam à medida do que pagamos.

Definitivamente, a Hidro-Chicapa não atende a demanda de Catoca?
-Não. Porque para trabalhar sem recurso a geradores precisamos neste momento de 17MW estáveis.

Mas as bombas de polpa e o terceiro moinho da CT2 podem aumentar o consumo energético?
- Sim. A previsão é de que a potência suba para 26MW com a instalação das bombas de polpa e do moinho 3 da CT2. E lá precisaremos de outras soluções energéticas.

Que fazer quando estiverem montadas as bombas de polpa e o moinho?
- Será necessário, numa primeira fase, substituir parte dos geradores que já estão a atingir o final do tempo de vida útil e aumentar a produção da nossa central termoeléctrica com novas unidades geradoras para suprir a demanda.

Mas isso vai, com certeza, aumentar também o consumo de combustíveis e a descarga de CO2 para a atmosfera. É econômica e ecologicamente o melhor caminho?
- Não. Essa situação só é viável enquanto não houver outra solução definitiva. A segunda Hidroeléctrica já prevista para a região seria o ideal.

Para quando a Hidroeléctrica de Chicapa II?
- Os estudos já iniciados ao nível do Ministério de tutela (Energia e águas) apontam para que dentro de 5 a 6 anos possa entrar em funcionamento.

E o que dizem os estudos quanto à potência da futura barragem?
- Em princípio fala-se em uma potência instalada de 42MW, com uma potência disponível de 28MW que já daria para atender a demanda de Catoca.

Mas que há de concreto neste momento?
- (pausa) Há estudos que estão em revisão. É tudo quanto sei. Quanto a nós (Catoca), a Hidro-Chicapa II será uma solução definitiva e final, já que a empresa prevê não ultrapassar os 26MW de potência. Uma nova barragem permite-nos ter uma componente ecológica total, deixar de usar os geradores e conformarmo-nos aos preceitos universais em termos ambientais, o que será bom para a natureza.

Aventava-se também a possibilidade de Catoca optar por mini-hidricas flutuantes. Em que pé ficaram os contactos?
- As coisas estão apalavradas, mas depois colocaram-se problemas financeiros da parte dos fabricantes e tudo ficou parado. São questões que nos transcendem. Mas, existe uma política ao nível do ministério da energia para a construção de mini-hidricas em parceria com privados.

Está a querer dizer que, caso se atrase a Hidro-Chicapa II, Catoca pode também olhar para esse tipo de soluções?
- Não é exactamente isso. As mini-hidricas não nos atendem, por serem potências pequenas. O ideal seria mesmo uma barragem que nos possa fornecer o que precisamos, ou uma solução que passe pela interligação das linhas aéreas, de muito alta tensão, previstas para o transporte de energia a partir de barragens como a de Kambambe e Kapanda.


 
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