Home | Fale Conosco

 
 
 
 

   News

SOBAS DA REGIÃO PEDEM PROSPERIDADE PARA O GANGO

 

A concessão diamantífera do Gango abrange os territórios da Kibala e Mussende (província do Kwanza-sul) e ainda parte de Malanje (extremidade norte do rio Kwanza).

No meio do mato, entre as vilas de Kibala e Mussende, indo pela EN240, desviando 20 km depois de Kariango, no interlando, aqui onde a chuva não dá tréguas, 23 elementos, entre engenheiros, seguranças, e pessoal de apoio, procuram na floresta densa o que a natureza terá ocultado no subsolo, sem dizer em concreto onde está e como está. "Aqui no Gango, os trabalhos correm bem e os resultados até agora são animadores", explica o Engenheiro Tinta Vunda, chefe da equipa de prospectores ao serviço de Catoca. Perto de 3mil km é á área da concessão do GANGO que acolhe no seu interior o Projecto agro denominado Terra do Futuro. É esse projecto que aluga provisoriamente parte das suas instalações aos técnicos de Catoca.

PRESENÇA DE GARIMPEIROS INQUIETA

A área em que a concessão se localiza chama-se Kepala, embora seja, nos últimos anos, mais conhecida por CAP, uma designação atribuída à oposição armada no tempo da guerra civil que aí tinha estabelecido um comando que explorava a pedra preciosa num aluvião. Até hoje ainda há presença de garimpeiros, nacionais e expatriados, contabilizados pela polícia da Kibala em mais de uma centena, algo que preocupa Catoca e Endiama, enquanto responsáveis pelo projecto Gango, e as autoridades administrativas e policiais do Mussende e Kibala. "A presença destes homens é uma grande inquietação para nós", disse Joaquina Gabriel, a socióloga que administra o Mussende há ano e meio. "Precisamos, nós, os colegas da Kibala, Catoca, Endiama, o Corpo de Segurança de Diamantes, a Polícia e outros actores comprometidos coma legalidade, de encontrar solução, sem esticar o tempo, recomendou a administradora. Em finais de Janeiro de 2013, responsáveis de Catoca, Endiama, e administrações da Kibala e Mussende voltam a sentar-se à mesma mesa para ensaiar a solução adequada para estacar o garimpo na concessão do Gando. Até lá, cada interveniente vai fazer o trabalho de casa.

Agilson Bartolomeu, representante da Endiama na concessão, sugeriu uma intervenção pacifica e amigável junto aos garimpeiros que se encontram em número crescente e apelou à necessidades de uma melhor coordenação entre as partes interessadas, incluindo, se possível, o Ministério da Geologia e Minas. "Sem os garimpeiros na região os trabalhos de prospecção serão mais seguros e terão maior celeridade", argumentou.

PESQUISAS

Decorrem há 4 meses e, segundo o engº Sénior Tinta Vunda, até agora satisfazem à expectativa. "Há pelo menos presença de minerais satélites que indiciam a presença de diamantes na região quer em aluvião quer em kimberlitos. Com a recolha de amostras, que serão tratadas em Catoca, vamos ter mais elementos para mediar os resultados até agora", afirmou. Segundo o geólogo, até ao momento foram identificadas 4 áreas com "boas perspectivas" de se encontrar Kimberlitos, sendo a fase seguinte a de saber se os corpos kimberlíticos já identificados e outros por descobrir estão ou não mineralizados.

EVOCAÇÃO DOS SOBAS AOS ANTEPASSADO

O ritual tradicional dos sobas é comum em áreas onde se explora a pedra preciosa. Depois do Luangue (Lunda Norte), em Agosto, a vez do Gango aconteceu a 05 de Dezembro 2012.

O regedor Ciwewe (Tchiueue) e a rainha do Mussende, Antonica Gregório, comandaram "as operações", antecedidas de um encontro no escritório do Gango (espaço arrendado pelo projecto agro Terra do Futuro). Em duas carrinhas todo-o-terreno, sobas e alguns elementos ao serviço de Catoca seguiram ao santuário dos povos de Kepala e lá, entre oração, salvas de palmas e oferendas aos antepassados, os sobas pediram aos seus ancestrais que "facilitem os que vieram trabalhar para que o país melhore, que as máquinas trabalhem sem obstrução, que os invejosos e impostores sejam afastados e que os proventos satisfaçam a todos", disse o mestre de cerimónia, regedor Ciwewe antes de jorrar no mato o kaporroto (bebida destilada) e a garapa (espécie de sumo feito a base de farinha de milho e sumo de raiz de uma árvore designada na língua local por mbundi).

NOVO FOGO É NOVA VIDA

De regresso ao local em que funciona o escritório da concessão, cerca de dez km de picada em mato cerrado, sobas, administradores do Mussende, Kibala e Kariano e responsáveis de Catoca mantiveram um pequeno encontro para pequenos acertos e partir para atear o "fogo novo" que na tradição dos povos significa Uma Nova Vida.

Mais cinco km de picada seriam percorridos, em picada bastante estreita e curvilínea até ás proximidades duma lagoa natural. "Aqui havia um grande bairro no tempo dos maninhos", explicou a rainha Antonica, antes de ordenar: "vocês todos, até os administradores vão ficar aqui, na estrada, só nos acompanham quando eu mandar chamar". Despediu-se com o seu séquito até ao local onde minutos depois seria ateada uma pequena fogueira. "O fogo novo significa uma nova vida para os vossos trabalhos. De hoje em diante, nada será como dantes na vossa actividade", explicou o regedor Ciwewe.

A EXPECTATIVA DE QUEM QUER VER TRABALHO PRENDADO A maior prenda que líderes de Catoca e o representante da ENDIAMA na concessão do Gango anseiam é ver o trabalho a correr sem interrupções, com gastos razoáveis e resultados que satisfaçam o investimento e a expectativa.

Fernando Kamunda, administrador municipal adjunto da Kibala, por circular numa estrada nova (EN240 Kibala-Mussende, em asfaltagem) foi o primeiro a chegar ao Projecto Terra do Futuro, base provisória da Concessão do Gando, ao que se seguiu Joaquina Gabriel a administradora do Mussende.

Para Fernando Kamunda, o Gango constitui-se numa mais valia, porquanto a sua materialização vai levar desenvolvimento ao município da Kibala e à província do Kwanza-Sul. "sabemos que os diamantes também sustentam o OGE (Orçamento Geral do Estado) e, por outro lado, caso se encontre diamantes suficientes e se faça a exploração industrial teremos aqui postos de trabalho", disse o administrador que deixa, entretanto uma recomendação em caso de testes pesquisas favoráveis: "Gostaria de pedir que alguns garimpeiros com conhecimentos fosse integrados numa futura operação, visto que há falta de emprego no município".

Joaquina Gabriel começou por agradecer o convite para a bênção tradicional. "O que acabo de assistir (fogo novo) é uma honra para mim. Sabemos que não há ainda benefícios nesta fase de prospecção de diamantes, mas sei que casos os resultados sejam os preconizados pelo investidor, o Projecto vai proporcionar emprego para as famílias do Mussende que muito precisam. É por isso que estamos ansiosos e atentos esperando por bons resultados, argumentou a administradora.

Para Altair de Oliveira, responsável pelas novas concessões de Catoca, a actividade foi um êxito e "ficou demonstrado o nosso compromissos de respeitar as tradições e culturas locais bem como as autoridades regionais".

O CONTRATO ENTRE CATOCA E TERRA do FUTURO

A prospecção de diamantes exige máquinas e equipamentos. Estando as concessões do Gango e da Quitúbia distante de Catoca, a empresa teve de rubricar um contrato de prestação de serviços do Projecto Terras do Futuro às Concessões detidas por Catoca no Kwanza-Sul.

O documento em que foram co-signatários Amaro Barbosa (Catoca) e Ivo Cruz Marques (PTF) visa a prestação de serviços e aluguer de infra-estruturas e equipamentos daquele Projecto agrícola pela SMC.

O compromisso abrange o fornecimento de alimentação aos técnicos de/ao serviço de Catoca; prestação de serviços de saúde, fornecimento de combustível, aluguer de quartos dormitórios e escritórios, e aluguer de equipamentos como: retro-giratória, giratória, buldozer, porta-máquinas e basculante.

O ALMOÇO, AS LEMBRANÇAS E O ATÉ BREVE

Terminada a cerimónia do acender do novo fogo, sobas, administradores e responsáveis de Catoca sentaram-se à mesa para um almoço caprichado. A conversa foi amena e todos estavam desejosos de que haja "boa safra" nas prospecções e que mais encontros do género aconteçam, já no meio do brilho dos diamantes que a terra ainda esconde. Depois dos agradecimentos do engº Agildon Bartolomeu à administradora do Mussende, administrador adjunto da Kibala, administrador comunal do Kariango e às autoridades tradicionais, seguiu-se o momento da despedida. Mas antes, houve entrega de pequenas lembranças: Relógios aos administradores, camisas, pólos e camisolas de Catoca aos demais presentes.

À parte O PROJECTO TERRA DO FUTURO E O EMPREENDEDORISMO AGRÍCOLA Na comuna do Kariango, Municicpio da Kibala, num local coberto de vegetação, há 22 km da Estrada Nacional 240, em direcção ao Mussende, fica o projecto Terra do Futuro, lançado em 2009. Possui um centro de formação, alojamento para técnicos expatriados e nacionais doutras regiões, um centro médico, dormitórios, diversos equipamentos e infra-estruturas de apoio à actividade agrícola. O Projecto terras do Futuro, iniciativa provada, funciona ainda como uma espécie de inseminadora de fazendas agrícolas detidas por jovens agrónomos criteriosamente seleccionados.

"Depois da licenciatura fizemos um teste e os aprovados fizeram um curso de sete meses onde aprendemos, para além de técnicas agrárias, a gestão de empreendimentos agrícolas. Entre os dez jovens fazendeiros, uma delas se destaca:

Débora Manuel é uma engenheira agrária que também se forma em contabilidade e auditoria na Universidade Metodista de Angola. É das poucas fazendeiras do Projecto Terra do Futuro (médias fazendas, adjacentes ao Projecto financiado belo BDA. Abordada ao volante da sua Hilux, próximo do Centro médico, Débora, entre os 29 e 31 anos, é natural do Huambo onde se licenciou em agronomia pela faculdade de Ciências Agrárias da UAN e ganhou o gosto pelo campo.

"Sempre gostei do isolamento e aqui aplico o que aprendi na universidade como também tenho a possibilidade de ser empresária agrícola. Cada dia há troca de experiencias ente nós e isso fortalece-nos", disse ela quando questionada se não se sentia incomodada estando a residir no meio da vegetação.

Apesar do entusiasmo há também solidão. Débora que cultiva milho e feijão nos seus 200 hectares fez um desabafo: "Penso em constituir família, mas aqui faltam candidatos à altura".

José Marques, engenheiro agrónomo natural de Luanda e com família constituída, é outro fazendeiro que recebeu um crédito do BDA. Como Débora está orgulhoso do que faz e conta que "o crédito é foi feito a um grupo de dez jovens, em apenas uma conta acompanhada de perto pelo Projecto Terras do Futuro. Cada um tem um fundo de maneio que tem de gerir com responsabilidade e produzir o máximo que puder", explicou.

À semelhança dos demais nove colegas, Marques recebeu uma casa de campo, uma carrinha, um tractor com alfaia agrícola completa e outros imputs que lhe permitem lavrar os 200 hectares recebidos do Projecto Terra do Futuro. No fim da colheita, o mercado está garantido (PTF) e o investimento recebido é para ser descontado colectivamente e de forma faseada. "Quando terminarmos de liquidar os empréstimos seremos donos e senhores de nossas vidas", disseram Débora e José Marques.

No total, segundo o programa do Projecto, serão 60 jovens empresários que deixam a cidade para fazer o campo produzir.

 


 
Endereço:
Luanda/Angola - Sector Talatona – Luanda Sul - Tels.: 2226247000 | 2226247001 | Fax.: 222006140 | 222006141
Saurimo/Angola - Tels.: 222624000 | 222624001 | Fax.: 222624108